Percebendo Jesus – indo além do ambiente, indo além da ornamentação

Em Mateus 26:6-13 nós temos o relato de uma mulher que pregou uma das mensagens de amor e devoção ao Senhor mais impactantes registradas nos Evangelhos, sem sequer usar uma palavra.


No contexto anterior a referida cena, O Senhor Jesus tinha acabado de pregar um dos sermões mais profundos e intensos.  Após censurar os fariseus e os escribas (Mateus 23) ele sai do templo e começa a pregar um sermão escatológico aos discípulos (Mateus 24-26), ou seja, um sermão que apontava para o fim de todas as coisas, para o final dos tempos, para os sinais que apontariam para a sua vinda. 


Após esse sermão intenso, os principais dos sacerdotes então conjecturaram lhe incriminar e prendê-lo, mas não fariam isso por causa da festividade da Páscoa (Mateus 26:1-5). Depois disso tudo Ele se dirige a Betânia, cidade onde morava seu amigo Lázaro, o qual fora ressuscitado por ele, e também Marta e Maria, irmãs de Lázaro e também amigas de Jesus.


Pela comparação do relato de Mateus com os textos correlatos do mesmo momento em Marcos 14:3 e João 12:1-11, sabemos que havia ali uma ornamentação, uma mesa preparada, um ambiente preparado, um local especialmente organizado para receber Jesus.


Naquele ambiente ornamentado, organizado especialmente para receber Jesus, alguém de maneira súbita toma para si a atenção de todos. Uma mulher que aproxima de Jesus, a qual nós sabemos que era Maria; a mesma que Jesus dissera que tinha escolhido a melhor parte (Lucas 10:38-42). 


Maria portava um vaso de alabastro, o qual continha uma essência muito especial que poderia ser utilizada apenas uma vez, pois o vaso era como que lacrado. Ali mesmo, naquela cena emblemática, Maria toma o vaso e, por entendermos que tal vaso era lacrado, deduzimos que ela quebra o Vaso, e o texto bíblico afirma que Maria derrama a essência sobre os pés do Senhor, unge-os e os enxuga com seus cabelos, de modo que toda a casa se encheu com o perfume de bálsamo. 


A ação de maria provocou uma reação súbita dos discípulos de Jesus, os quais  ficaram indignados, pois consideraram o ato de Maria um desperdício; João acentua que foi Judas que manifestou de maneira específica sua indignação. 


O texto se desdobra com o Senhor Jesus Cristo defendendo a atitude de Maria, ressaltando que o que ela Fez foi mais que um ato de devoção pessoal, e sim o ato profético; um sinal daquilo que o Senhor Jesus iria viver em breve, o seu martírio.

O Evangelista Mateus no final da cena registrou as palavras ditas por Jesus acerca da importância daquele Ato, asseverando que em todo o mundo, onde quer que fosse pregado este evangelho, também o que Maria fez seria contado em sua memória. 

Neste ponto do texto, convido você caro leitor a uma reflexão, para juntos extrairmos algumas verdades que encontramos nesse relato, que nos inspiram e nos instruem na nossa jornada de fluirmos numa intensa, profunda e genuína devoção ao Nosso Senhor Jesus Cristo.


Em primeiro lugar, é válido destacar a percepção espiritual de Maria, visto que sua atitude revela que seus olhos espirituais estavam abertos para a importância do momento, e principalmente da importância de quem estava ali entre eles. 

Como Ministros do Altar, corremos o risco de nos acostumarmos com a dinâmica do ministério, e com isso nos atentar mais para o ambiente, do que para quem esteja lá. Valorizar mais o rito do que o culto; se atentar mais para a performance do que para a essência; e muitas vezes até usar justificativas aparentemente plausíveis, mas que de fato só revelam nossa frágil percepção espiritual.


Os discípulos reclamaram do ato reputando-o como um desperdício, porque não tiveram a percepção do momento e nem da intenção de Maria; eles estavam vendo a atitude de Maria com os olhos naturais e não com os olhos espirituais.


Além da sinalização profética por trás da atitude de Maria, testificada pelo próprio Cristo, podemos também considerar o ano de sacrifício empenhado por Maria para lograr aquele vaso tão valioso. Ali havia renúncia, expectativa, derramados de uma só vez sobre Jesus. 

Sob o exemplo de Maria, podemos afirmar que nossa vida de devoção a Jesus é um caminho percorrido, que é derramado quando estamos aos pés do Mestre. Como Ministros, nossa adoração não se limita ao momento da ministração em público; o que ocorre no público é mero resultado de dias, meses, anos, de toda uma trajetória de renuncias, obediência e amor por Jesus, vividas no Secreto/na jornada. Somos o vaso de alabastro que, quando quebrantados, exalamos o bom perfume de Cristo. 


Precisamos, amados irmãos, ir além da ornamentação, além dos olhares paralelos; temos que mover nossa adoração na direção do Senhor. Maria traduz uma adoração sem discurso, mas com essência; Maria traduz uma adoração extravagante, mas com tons de serenidade; Maria traduz uma adoração plena, mas sem ocultar sua vulnerabilidade. 

O Senhor quer levantar uma geração de adoradores que se movam na mesma unção de Maria de Betânia; uma geração que percebe o Senhor Jesus Cristo com discernimento. Uma geração que ouve se senta aos pés do Senhor, como se sentou Maria, recebe revelação do Alto, e se torna um altar responsivo, que devolve a revelação recebida em forma de obediência, entrega, amor e lealdade.


Uma geração que não se importará com o preço deduzido na renúncia, mas focará no desejo intenso de que o cheiro do conhecimento de Cristo Jesus seja espalhado com amor e ternura. 


Maria é um padrão vitalício de adoração; vidas desperdiçadas aos pés de Jesus; aqueles que não se acostumarão com o ambiente e terão percepção para priorizar a presença do Mestre e ser canal para que os presentes façam o mesmo; terão um amor extravagante por Jesus, e por consequência demonstrarão isso ao próximo; 


Concluo essa reflexão meus amigos, orando ao Pai, para que Ele levante nesse tempo uma geração de homens e mulheres com a unção de Maria de Betânia; pessoas que vão gerar o seu unguento no lugar secreto e serão quebrantados ao oferecer a ti o melhor; ministrarão primeiro ao senhor, para depois ministrar às pessoas; manifestarão a fragrância de quem O Senhor é.

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